top of page
Buscar

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA DIMENSIONAMENTO DE ENFERMAGEM

  • Foto do escritor: Danielle Cucolo
    Danielle Cucolo
  • 11 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura

Texto elaborado pela Profa. Dra. Danielle Fabiana Cucolo


A incorporação de tĂ©cnicas de InteligĂȘncia Artificial (IA) na prĂĄtica da enfermagem Ă© um campo inovador e ainda polĂȘmico. No Brasil, os estudos ainda sĂŁo incipientes. HĂĄ consenso entre especialistas internacionais na oportunidade da Enfermagem se beneficiar das tecnologias de IA e de liderar as inovaçÔes e as melhorias para as populaçÔes e sistemas de saĂșde (Ronquillo et al, 2021). 


InteligĂȘncia Artificial e Carga de Trabalho em Enfermagem

Pesquisadoras da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em parceria com cientista de dados da University Medical Center Utrecht, na Holanda, publicaram recente estudo na ĂĄrea com o objetivo de descrever o desenvolvimento de um modelo classificador preditivo da carga de trabalho de enfermagem (CTE), utilizando IA.

O estudo utilizou dados retrospectivos de registros eletrÎnicos de pacientes, mais especificamente do processo de enfermagem, e de planilhas de classificação diåria de pacientes de doze unidades de internação de um hospital universitårio para desenvolver o modelo classificador preditivo com técnicas supervisionadas de Aprendizado de Måquina. O algoritmo utilizado foi treinado para classificar as variåveis nas quatro categorias de cuidado: mínimos, intermediårios, semi-intensivos e intensivos. 


Resultados do Estudo: IA e CTE

Dentre as 15 variĂĄveis apresentadas nesse estudo, as mais representativas em cada categoria de cuidado foram:

  • Cuidados mĂ­nimos: tempo de internação e manutenção de grades do leito elevadas;

  • Cuidados intermediĂĄrios: realização de banho no leito e implementação do protocolo de feridas;

  • Cuidados semi-intensivos: risco de quedas e implementação do protocolo de quedas;

  • Cuidados intensivos: implementação do protocolo de feridas e de cuidados com sonda nasoenteral.

Segundo os autores, as variåveis que configuram as quatro categorias do modelo de avaliação da CTE convergem com as nove åreas de cuidados do sistema de classificação de pacientes utilizado na instituição (Perroca, 2011). 

Apesar do bom desempenho do modelo preditivo na classificação geral dos pacientes (82%), ainda é necessårio investir na modelagem dos dados para melhor os resultados de previsão, especialmente, nas categorias semi-intensivo (76%) e intensivo (79%) atingindo desempenho superior a 80%.


ConclusÔes sobre o Modelo Preditivo da CTE

Dentre os achados, conclui-se que os dados do prontuårio eletrÎnico do paciente podem ser utilizados para treinamento de algoritmos e predição da CTE. 

No contexto estudado, segundo o modelo, as principais variĂĄveis que impactam na CTE (tempo de permanĂȘncia, risco de queda, cuidados com lesĂ”es e banho no leito) fundamentam o dimensionamento e a distribuição da força de trabalho de enfermagem (FTE).


Modelos classificadores preditivos da CTE possibilitam automatizar a atividade direcionando o tempo dos enfermeiros para assistĂȘncia e gestĂŁo da unidade.

Ainda que a classificação e a mensuração da CTE possam ser previstas por tĂ©cnicas de IA, a especificidade de cada cenĂĄrio e a experiĂȘncia humana precisam ser consideradas na anĂĄlise e tomada de decisĂŁo clĂ­nica e na gestĂŁo da FTE.


 

ReferĂȘncia: 


Perroca, M. G. (2011). Development and content validity of the new version of a patient classification instrument. Revista latino-americana de enfermagem, 19, 58-66.


Ronquillo, C. E., Peltonen, L. M., Pruinelli, L., Chu, C. H., Bakken, S., Beduschi, A., ... & Topaz, M. (2021). Artificial intelligence in nursing: Priorities and opportunities from an international invitational think‐tank of the Nursing and Artificial Intelligence Leadership Collaborative. Journal of advanced nursing, 77(9), 3707-3717.


Sobre a autora



Danielle Fabiana Cucolo compÔe a Redimensiona.


Danielle possui graduação em Enfermagem pela Faculdade de Medicina de SĂŁo JosĂ© do Rio Preto/SP (FAMERP/SP) - 2003; Especialização em Gerenciamento, Enfermagem do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar pela FAMERP/SP - 2005; Mestre em CiĂȘncias da SaĂșde pela FAMERP/SP - 2009; Doutorado em CiĂȘncias da SaĂșde pela FAMERP/SP - 2015. ExperiĂȘncia na ĂĄrea de Educação em Serviço e GestĂŁo em Enfermagem. Foi Professora Adjunta na Universidade Paulista (UNIP) - de 2009 a 2011 e Docente Substituta e VoluntĂĄria na Universidade Federal de SĂŁo Carlos (UFSCar/SP) - de 2015 a 2018, ministrando disciplinas nas ĂĄreas de gerenciamento em enfermagem, trabalho em enfermagem e estĂĄgio curricular supervisionado. Atua como Docente/Tutora no Programa de PĂłs Graduação da PontifĂ­cia Universidade CatĂłlica de Campinas (PUC Campinas) - Residencia Multiprofissional em SaĂșde desde 2020. É membro do Grupo de Pesquisa em GestĂŁo, Formação, SaĂșde e Trabalho (GFST - UFSCar/SP) e vice-lĂ­der do Grupo de Pesquisa em GestĂŁo de Serviços de SaĂșde e de Enfermagem (GESTSAÚDE - FAMERP/SP). Membro da Rede Brasileira de Dimensionamento e Planejamento da Força de Trabalho em SaĂșde (ReDimensiona).

 
 
 

Inscreva-se na nossa lista de transmissão

Obrigado por se inscrever!

bottom of page